Projetos de Pesquisa

Poéticas Contemporâneas: sexta edição

Coordenadora: Maria Lucia de Barros Camargo

2014 – Atual

O projeto integrado Poéticas contemporâneas: histórias e caminhos, em continuidade ao trabalho de mapear e analisar os periódicos culturais e literários que circulam ou circularam no Brasil na segunda metade do século XX,vem também aprofundando seus estudos da produção cultural e poética contemporâneas, procurando detectar linhagens poéticas, relatos de modernidade, releituras da tradição literária, construção e desconstrução de cânones, tensões entre a alta literatura e a cultura de massa , em suma, buscando ler, nos periódicos, o contexto literário e cultural que nos contém na segunda metade do século XX e os pressupostos críticos que o regem em suas constantes mutações. Trata-se, de um lado, do estudo da poesia brasileira contemporânea em seu diálogo com a tradição; de outro, as indagações acerca da cena sócio-cultural em que essa produção literária se dá. Para esta linha de investigação acerca de tais poéticas contemporâneas o estudo dos periódicos literários e culturais tem-se confirmado como corpus privilegiado.

*

Poesia em revista

Coordenadora: Maria Lucia de Barros Camargo

2012 – Atual

Projeto dedicado especificamente ao mapeamento e análise da produção brasileira no campo da poesia e da crítica de poesia em suas linhagens e releituras da tradição a partir das revistas literárias. Além disso, o projeto Poesia em revista também dedica-se a estudos monográficos e detidos acerca de um determinado poeta, e, portanto, acerca da configuração do cena literária Brasileira, especialmente a partir da segunda metade do século XX. Trata-se de revisitar e revisar o que permanece e o que se modifica na herança da vanguarda e dos modernismos literários nas produções do período, dando conta das linhas de força e das linhas de ruptura, bem como da comparação do estado da poesia e da crítica no final do século.

*

Para uma conceituação da bioestética

Coordenador: Raul Antelo

2014 – Atual

A Estética tem uma dimensão abertamente fundacional da experiência, que exige concebê-la como uma reflexão cujo objeto é a mais íntima exposição do sentir humano, a do contato ou aisthesis, na esfera da operação cognitiva e da produção de sentido, o que alavanca formas de saber e formas de vida, que a vinculam, em última análise, com a técnica e o artifício. Nietzsche abre esse debate ao conceitura a religião, a moral e a filosofia como formas de décadence do homem ocidental. E esse modo de encarar o problema de uma progressiva anestetização da vida moderna, levava Nietzsche a constatar um descompasso entre as noções de arte e verdade, em outras palavras, esse hiato fazia com que o filósofo pensasse a arte como uma estética fisiológica, estreitamente ligada à vida, vida essa, por sinal, que ele concebia como vontade de poder, isto é, vontade de chance, de acaso, de arbítrio ou de jogo, em suma, como uma forma de bio-poder. A bioestética define, portanto, uma condição fundacional do sujeito moderno, qual seja, sua operatividade como força, em perpétuo estado de embriaguez, resultado do qual obtemos a obra de arte que, sob um ponto de vista perspectivista, nada mais é do que produção de formas de vida. Mas, nesse ponto, impõe-se o paradoxo de constatar que, quanto mais se expandem a criatividade e a operatividade da obra, mais se firma o desejo de controlar sua expansão fora de si. Essa tensão, que irá se avolumando em Heidegger, Deleuze, Foucault e Badiou, autores que abalam as figuras metafísicas fundacionais, tais como a totalidade, a universalidade, a essência ou o próprio fundamento da estética, nos conduz a um cenário em que domina já não a inexistência de fundamento da disciplina mas, a rigor, a ausência de um fundamento derradeiro, reconhecendo, assim, tanto a permanente contingência do estético, quanto seu caráter de fundamento apenas parcial e, em última análise, sempre falido, porque, ao acatarmos a autonomia e historicidade do próprio acontecimento estético, estamos, implicitamente, admitindo a indeclinável necessidade de decisão, perante a não menos incontornável divisão, discórdia e antagonismo que atravessam a esfera artística contemporânea.

*

Otobiografias latino-americanas

Coordenador: Jorge Wolff

2014 – Atual

Este projeto de pesquisa de “literatura brasileira” intitulado Otobiografias latino-americanas se propõe a operar, para além de gêneros, territórios e temporalidades previamente demarcadas, com um corpo crítico-teórico de pensadores-poetas-ensaístas latino-americanos sobre textos em diferentes línguas, com destaque para a brasileira e a castelhana, que deem conta de algum modo do tema da vida e da morte, não com a finalidade de dar um sentido a ambas e sim de investigar os modos de abordá-lo, quer dizer, de analisar a experiência do biográfico e do autobiográfico em seus indícios e em suas dobras: a questão da vida e da morte como experiência do outro, a experiência da vida-morte ali onde ela não está. Em outras palavras, se trata de uma abordagem de certas escrituras do eu em busca de suas brechas e de seus rastros antes que de seus centros de rotação; trata-se igualmente de buscá-las enquanto memória da infância e infância da memória. O projeto propõe a leitura crítica de textos de uma série de autores, os quais perfazem o seu corpus “vivo-morto”, a saber: Mario Levrero, Caetano Veloso, Tamara Kamenszain, Arturo Carrera, W. H. Hudson, Murilo Mendes, Paulo Leminski, César Aira, Sylvia Molloy e Silviano Santiago. O corpus crítico-teórico inclui filósofos, críticos e escritores, incluindo duas escritoras-ensaístas argentinas e um escritor-ensaísta brasileiro também presentes no corpus anterior: Sylvia Molloy, Tamara Kamenszain e Silviano Santiago. Os demais autores trazidos diretamente à baila são Josefina Ludmer, Flora Süssekind, Raul Antelo, Reinaldo Laddaga, Paul de Man, Gilles Deleuze, Giorgio Agamben e – conforme antecipado no próprio título do projeto – Jacques Derrida.

*

Documentos do Presente

Coordenador: Jorge Wolff

2010 – Atual

Este projeto de pesquisa propõe uma abordagem das noções de (neo)naturalismo ou (neo)documentalismo a partir de duas vozes da vida literária brasileira dos anos 70 e 80 as de Ana Cristina César (Literatura não é documento, 1980) e Flora Süssekind (Tal Brasil, qual romance?, 1984). A convergência entre literatura e cinema brasileiros inerente ao trabalho já presente nos ensaios das duas escritoras, cada uma a seu modo busca, por sua vez, estudar e articular teoricamente os conceitos de ficção documental, espaço biográfico e figuras de autor, articulados aos de naturalismo∕documentalismo, em narrativas literárias e fílmicas, de distintas vertentes, mais ou menos identificadas entre si. O corpus do projeto, em suas diferentes etapas, é composto por obras de Graciliano Ramos e Eduardo Coutinho; Manuel Bandeira, Joaquim Pedro de Andrade e Dalton Trevisan; Bernardo Carvalho e Cristóvão Tezza.

*

A gesta entre nós, tal gesto: disposições e dispositivos

Coordenador: Carlos Eduardo Capela

2013 – Atual

O projeto de pesquisa, no seu atual desdobramento, opera a partir da ideia de frentes de trabalho, que contemplam, e investigam, três arquivos distintos, compostos em sua maior parte por textos ficcionais, que se organizam em séries distintas, porém correlatas. O primeiro destes arquivos congrega ficções de autores brasileiros que colocam em cena situações narrativas nas quais personagens de não-nacionais (categoria maior que compreende em especial imigrantes, colonos e estrangeiros, de origem nacional variada, mas que pode muito bem se abrir para asilar outras modalidades de exílio que não aquelas resultantes de motivações de ordem essencialmente econômica, ou seja, que não respondam em sua mais alta medida a apelos da necessidade imediata) são postos em relação com personagens de nacionais, num ambiente social e numa paisagem identificados por sua “cor local”. Isso é, são originais, identificados e marcados como brasileiros já desde o cenário neles enfocado, em que os elementos humanos (as personagens, inclusive as de narradores) são considerados a partir de sua situação de inclusão ou exclusão (ou, ainda, de intrusão, para lembrar um conceito proposto por Jean-Luc Nancy) em uma ordem social dada como previamente constituída, embora, como sempre, em constante processo de transformação. O segundo arquivo, que em larga medida compartilha com o anterior matrizes metodológicas e teóricas subjacentes a sua própria organização, contempla sobretudo peças teatrais publicadas, e em sua maior parte encenadas, na Argentina, grosso modo entre as décadas de 1900 e 1930. Tais peças têm como um de seus traços comuns a proposição de argumentos dramáticos que giram em torno do difícil e tenso relacionamento entre personagens de membros da população local, que se tomam como legítimos argentinos, e reivindicam uma tal identidade, e personagens de não-nacionais, de diversas procedências, com destaque para aqueles que sinalizam para o largo contingente de imigrantes europeus chegados ao país (como, aliás, ocorre de modo similar na domínio da literatura brasileira, no período em foco, com a distinção relevante de que no Brasil são poucas as peças teatrais que trazem à cena personagens de não-nacionais). Um terceiro arquivo diz respeito às errâncias literárias e artísticas da personagem de Ahasverus, o Judeu Errante. É, cronologicamente, o mais recente deles, reunindo originais de diversas modalidades artísticas, isso em função da espantosa dispersão da personagem no tempo e no espaço, que dão vazão às infindáveis movências de Ahasverus. No caso deste arquivo, ao conjunto de originais de cunho artístico se juntam textos críticos e analíticos relativos ao Judeu Errante, produzidos notadamente a partir de meados do século XIX. E é exatamente o campo teórico que constitui, uma quarta frente de trabalho, inclinada a pensar metamorfoses e deslocamentos, enfim, movências imanentes ao processo artístico para além de determinações de quaisquer ordens.

*

Literatura, cinema, cultura e contracultura

Coordenador: Jair Tadeu Fonseca

2014 – Atual

Parte significativa das produções cinematográfica e literária (incluído o cancioneiro) é muito marcada pelo que se chamou de contracultura, a partir da segunda metade do século XX. Interessa à pesquisa perceber em obras literárias e cinematográficas, principalmente no Brasil, e principalmente em relação à Tropicália e ao pós-tropicalismo, mas não só nesses momentos e não só no país, o que nessas obras permite relacionar arte e vida, na chamada “sociedade do espetáculo” (Guy Debord), ou seja, na sociedade capitalista. A hipótese que se apresenta aqui é que tais manifestações artísticas, como a narrativa de José Agrippino de Paula, a poesia de Torquato Neto, as canções de Caetano Veloso e a poesia dita “marginal”, os filmes de Glauber Rocha, Rogério Sganzerla e Júlio Bressane e os trabalhos de Hélio Oiticica, entre outros, colocam-se no limite do modernismo e do chamado pós-modernismo, para o qual o dado pop se apresenta como importante em grande parte dessa obras. Sendo que isso se afina na hipótese contígua de que a arte contracultural, como a podemos chamar, se apresenta como diluição da vanguarda modernista na dimensão comportamental – fundamental para a contracultura. Assim, paradoxalmente, se cumpre, no momento dito pós-moderno, um dos objetivos das vanguardas históricas do modernismo: o de romper as fronteiras entre arte e vida. Entre as reflexões importantes a esse respeito, no âmbito da crítica e a teoria literárias no Brasil, são importantes para a pesquisa as diferentes posições de Augusto/Haroldo de Campos, Roberto Schwarz e Silviano Santiago, e mais recentemente as de Flora Süssekind. Para a reflexão acerca do pós-modernismo, as considerações de Fredric Jameson são muito relevantes.